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Código de barras e identificação

EAN, GTIN e DUN: diferenças e uso na logística

Entenda as diferenças entre EAN, GTIN, DUN e SSCC, quais códigos identificam produto, embalagem e unidade logística e como cadastrá-los e validá-los no WMS.

Por Equipe Triad WMS12 min de leituraAtualizado em

EAN, GTIN, DUN e SSCC aparecem em etiquetas, cadastros e integrações, mas não são nomes intercambiáveis. GTIN identifica itens comerciais em diferentes níveis de embalagem; EAN é associado a simbologias e ao uso histórico do GTIN-13; DUN-14 é um termo legado usado para caixas; SSCC identifica uma unidade logística individual. Entender o objeto evita que uma leitura baixe a quantidade errada.

Resposta rápida

GTIN é o identificador GS1 de item comercial; EAN costuma referir-se ao código de barras EAN-13 ou, no uso cotidiano, ao GTIN-13; DUN-14 é um nome legado frequentemente usado para o GTIN-14 de agrupamentos como caixas; SSCC identifica uma unidade logística específica. No WMS, cada código deve apontar para produto, nível de embalagem e fator de conversão corretos. O código de barras é o portador visual; o número identificado é o dado.

Identificador e código de barras são a mesma coisa?

Não. Um identificador é uma sequência de dados, como GTIN ou SSCC. Uma simbologia representa dados de forma legível por scanner, como EAN-13, ITF-14, GS1-128 ou GS1 DataMatrix.

O mesmo tipo de identificador pode aparecer em portadores diferentes, conforme regras e aplicação. A leitura devolve dados; o WMS interpreta, valida e relaciona ao cadastro.

Essa distinção ajuda a formular requisitos. “Aceitar GTIN-14” descreve o número; “ler ITF-14” descreve um possível símbolo físico.

O que é GTIN?

GTIN significa Global Trade Item Number. É a chave GS1 usada para identificar um item comercial — algo que pode ser precificado, pedido ou faturado em determinado nível de embalagem.

Formatos comuns incluem:

  • GTIN-8;
  • GTIN-12;
  • GTIN-13;
  • GTIN-14.

Para armazenamento e comparação, muitos sistemas normalizam o GTIN num campo de até 14 dígitos, preservando zeros à esquerda. Isso não significa alterar arbitrariamente o código impresso ou criar outro identificador.

Cada configuração comercial relevante precisa de GTIN próprio conforme as regras aplicáveis. Unidade, pacote e caixa com quantidades diferentes não devem compartilhar o mesmo significado operacional.

O que é EAN?

EAN vem de European Article Number, denominação histórica associada ao sistema que evoluiu com a GS1. No uso brasileiro, “EAN” frequentemente significa o número de 13 dígitos de um produto ou o símbolo EAN-13 impresso no varejo.

Tecnicamente, é melhor distinguir:

  • GTIN-13: o identificador numérico;
  • EAN-13: a simbologia que pode representar esse identificador.

Em conversa cotidiana, ambos são chamados de EAN. Em banco, API e documentação, use nomes precisos para não confundir dado, tamanho e portador.

O que é DUN?

DUN significa Despatch Unit Number. “DUN-14” é um termo legado ainda usado no mercado para o código de uma caixa ou agrupamento logístico, geralmente associado a um GTIN-14.

Hoje, prefira especificar GTIN-14 e a simbologia usada, em vez de depender apenas de “DUN”. Uma caixa comercial padronizada pode ter GTIN-14; uma caixa montada para um pedido, sem configuração comercial fixa, pode precisar de outra identificação logística.

O dígito indicador de um GTIN-14 ajuda a diferenciar níveis de agrupamento quando a estrutura atribuída permite, mas não representa por si só a quantidade. O WMS precisa do cadastro “este GTIN contém 12 unidades”, por exemplo.

Qual a diferença entre EAN e DUN?

No uso comum:

TermoUso típicoExemplo de objeto
EAN/GTIN-13unidade de consumo ou item comercialuma garrafa vendida individualmente
DUN-14/GTIN-14agrupamento comercialcaixa fechada com 12 garrafas

A diferença prática é o nível de embalagem. Ler a caixa deve movimentar a quantidade correspondente ao GTIN cadastrado; ler uma unidade deve movimentar uma.

Mas não trate todo GTIN-13 como unidade nem todo GTIN-14 como caixa de quantidade fixa sem consultar o cadastro. A atribuição identifica item comercial; conteúdo, dimensões e conversão são dados mestres associados.

O que é SSCC?

SSCC significa Serial Shipping Container Code. É uma chave GS1 de 18 dígitos que identifica uma unidade logística individual, como pallet, caixa de expedição ou contêiner logístico.

A diferença central é:

  • GTIN identifica o que é a configuração comercial;
  • SSCC identifica qual unidade logística específica é esta.

Dois pallets com o mesmo conteúdo podem compartilhar os mesmos GTINs internos, mas devem possuir SSCCs diferentes. O SSCC funciona como chave para consultar composição, origem, destino e eventos dessa unidade.

GTIN-14 e SSCC são iguais?

Não.

GTIN-14SSCC
identifica tipo/configuração de item comercialidentifica uma unidade logística única
pode se repetir em todas as caixas iguaisnão deve se repetir entre unidades ativas no escopo de unicidade
ligado ao cadastro e conteúdo padrãoligado à instância, composição e movimentação
usado em pedido e estoque por embalagemusado em palletização, transporte e rastreabilidade

Uma etiqueta logística pode carregar SSCC e outras informações, mas o WMS deve saber qual campo está lendo.

Quais simbologias aparecem na logística?

Exemplos comuns:

  • EAN-13: frequente em unidades de varejo;
  • UPC-A: comum em mercados que utilizam GTIN-12;
  • ITF-14: usado em certas embalagens e impressão sobre materiais corrugados;
  • GS1-128: carrega identificadores de aplicação, incluindo GTIN, lote, validade e SSCC;
  • GS1 DataMatrix: símbolo bidimensional capaz de carregar dados estruturados;
  • QR Code: possui aplicações gerais e ecossistemas específicos, não devendo ser interpretado automaticamente como GS1.

O artigo pilar de código de barras, EAN, GTIN, DUN, SSCC, QR Code e RFID apresenta o conjunto completo.

Como o WMS deve cadastrar os códigos?

Modele produto e níveis de embalagem:

CampoExemplo
SKU internoPROD-001
nívelunidade, pacote, caixa ou pallet padrão
GTINsequência atribuída à configuração
fator para unidade base1, 6, 12 ou outro
dimensões e pesopor nível
unidade de compra, estoque e vendaconfiguração permitida
validade do cadastrovigência e histórico

Um produto pode ter vários GTINs, um por configuração. Um GTIN não deve apontar para dois SKUs ativos incompatíveis. Alterações precisam de governança e efeito controlado sobre estoque existente.

Como validar um GTIN?

O WMS pode validar:

  • caracteres numéricos e comprimento aceito;
  • dígito verificador;
  • unicidade no cadastro;
  • associação ao SKU e embalagem esperados;
  • vigência e status;
  • contexto da tarefa;
  • quantidade e conversão;
  • origem do cadastro.

Dígito verificador válido detecta alguns erros de digitação, mas não prova que o código pertence ao produto físico ou que foi oficialmente atribuído ao emissor correto. Conferência cadastral e etiqueta continuam necessárias.

Por que preservar zeros à esquerda?

GTIN é identificador, não número para cálculo. Armazená-lo como tipo numérico pode remover zeros, aplicar notação científica em planilha ou alterar formatação.

Use texto com validação e normalize conscientemente para comparação. Ao exportar, proteja a coluna para que ferramentas não transformem o valor. O mesmo cuidado vale para SSCC.

Como o WMS interpreta a leitura?

Um fluxo seguro é:

  1. scanner lê o símbolo;
  2. aplicação identifica formato ou prefixos estruturados;
  3. parser extrai GTIN, lote, validade, série ou SSCC;
  4. WMS valida dígitos e cadastro;
  5. contexto confirma que o item é esperado;
  6. nível de embalagem determina quantidade;
  7. tarefa registra produto, unidade e atributos;
  8. exceção bloqueia código desconhecido ou ambíguo.

Não basta “aceitar qualquer sequência”. Um QR Code com URL e um GS1 DataMatrix com GTIN precisam de parsers e regras diferentes.

Como usar os códigos no recebimento?

No recebimento, leia unidade ou embalagem e compare com pedido e ASN. O WMS pode converter caixas em unidades base e capturar lote e validade de símbolos estruturados.

Valide fisicamente conteúdo. Uma caixa com GTIN correto pode estar incompleta ou conter produto trocado. Se o fornecedor usa código não cadastrado, registre pendência e aprove associação sob governança; não vincule ao primeiro SKU semelhante para liberar a doca.

Como usar no putaway e inventário?

GTIN confirma produto e embalagem; SSCC identifica a unidade logística movida. No putaway, ler SSCC pode recuperar toda a composição do pallet. No inventário, a equipe verifica unidade, endereço e conteúdo.

Se um pallet for dividido, o WMS atualiza quantidade e pode criar novas unidades logísticas, sem reutilizar o mesmo SSCC para duas instâncias. A trilha deve preservar origem.

Como usar no picking e packing?

No picking, o código valida que operador retirou produto e nível corretos. Se a tarefa pede 12 unidades, ler uma caixa cadastrada com fator 12 pode atender; se pede uma, o sistema deve impedir baixar a caixa inteira por engano.

No packing, a leitura reconcilia conteúdo com pedido e associa ao volume. Lote, validade e série podem ser exigidos. Um GTIN correto não substitui validação do pedido e do recipiente.

Como usar SSCC na expedição?

O SSCC pode identificar pallet ou volume desde fechamento até carregamento. O WMS relaciona composição, pedido, carga, transportadora, origem e destino.

Ao ler no staging ou doca, verifica se a unidade pertence à carga e não foi carregada antes. Parceiros podem trocar mensagens logísticas referenciando SSCC, desde que ambos mantenham o mesmo significado e dados sincronizados.

DUN ainda deve ser usado em integrações?

Sistemas legados podem possuir campo DUN14. Não renomeie ou converta sem entender contrato. Documente que valor representa, tamanho, nível e validação.

Em novas interfaces, preferir gtin, gtin14 ou estrutura explícita reduz ambiguidade. Uma migração pode manter alias para compatibilidade e validar equivalência durante transição.

Como tratar códigos internos?

Nem todo identificador é GTIN. A empresa pode usar SKU, código do fornecedor, código interno de embalagem ou etiqueta temporária. O cadastro deve registrar tipo, emissor, vigência e escopo.

Não complete código interno com zeros e o chame de GTIN. Isso pode colidir com chaves válidas e confundir parceiros. O WMS pode aceitar múltiplos identificadores, mas precisa distinguir semântica.

Quais erros são comuns?

Chamar todo código de EAN

Mistura GTIN, SSCC, lote, série e código interno.

Usar o mesmo código para unidade e caixa

O WMS movimenta quantidade incorreta.

Armazenar em campo numérico

Zeros à esquerda e representação são alterados.

Confiar apenas no dígito verificador

Código matematicamente válido pode estar no produto errado.

Tratar GTIN-14 como SSCC

Uma configuração repetível é confundida com unidade única.

Alterar cadastro sem vigência

Estoque antigo passa a ser interpretado por nova conversão.

Checklist de implantação

  • Inventarie todos os códigos e tipos usados.
  • Separe identificador de simbologia.
  • Modele níveis de embalagem e fatores.
  • Preserve zeros e valide dígito verificador.
  • Impeça GTIN ambíguo entre SKUs ativos.
  • Diferencie GTIN-14, DUN legado e SSCC.
  • Homologue scanners, etiquetas e parsers.
  • Teste unidade, caixa, pallet e fracionamento.
  • Controle códigos internos e de fornecedores.
  • Versione mudanças de cadastro e integração.

Perguntas frequentes

EAN e GTIN-13 são a mesma coisa?

No uso cotidiano, muitas pessoas tratam assim. Tecnicamente, GTIN-13 é o identificador; EAN-13 é a simbologia usada para representá-lo.

Toda caixa usa GTIN-14?

Não necessariamente. Depende de a caixa ser uma configuração comercial identificada e das regras aplicáveis. Uma unidade logística específica pode usar SSCC.

O GTIN informa quantas unidades há na caixa?

Não por si só. O WMS consulta o cadastro do nível de embalagem e seu fator de conversão.

SSCC identifica o produto dentro do pallet?

Ele identifica o pallet ou unidade logística. A composição fica associada ao SSCC nos sistemas e mensagens correspondentes.

Referências oficiais

Conclusão

GTIN identifica itens comerciais; EAN costuma nomear o símbolo ou o uso histórico do GTIN-13; DUN-14 é um termo legado associado ao GTIN-14 de agrupamentos; SSCC identifica unidades logísticas individuais. No WMS, resultado depende de cadastro por nível, conversão correta e validação contextual de cada leitura.

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